Discurso da Natália

Tenho estado a pensar no que disse (Maitreya) sobre a partícula do amor ser o gravitão, a mesma partícula envolvida na gravidade, e na ideia de que existe uma partícula envolvida no amor. Quando pensamos na luz, o que é a luz? A luz é algo físico. Pode comportar-se como partícula ou como onda. Mas o que é a escuridão? A escuridão não existe realmente por si só. É simplesmente a ausência de luz. Podemos pensar no calor de forma semelhante. O calor é energia, mas o frio não existe como algo em si mesmo. O frio é a ausência de calor. Talvez possamos fazer o mesmo paralelo com o Amor. O que são o ódio e o medo? Poderão ser simplesmente a ausência de Amor? Quando reparamos que uma sala está escura, podemos acender a luz. Da mesma forma, quando reparamos em sentimentos negativos como o ódio ou o medo, podemos acender o amor.

Discurso do Maitreya

Para todos os sentidos, é um pouco difícil para os humanos apreender o que é a luz, o fotão, ligeiramente difícil. É mais fácil para o som.

Quando ouvem alguma coisa, há algo a entrar no vosso ouvido? Nada. Vibração. Então, o que é? Há partículas de matéria a entrar no vosso ouvido? Absolutamente nada. Nada, a não ser vibração. Da mesma forma, estamos a começar a descobrir que a luz é vibração, a música é vibração, tudo é vibração, e os cientistas estão devagarinho, devagarinho, a descobrir a possibilidade de a gravidade também ser vibração.

Quando a Lotus canta, nenhuma partícula sai da boca dela, mas ela cria uma vibração. E esta vibração faz com que as moléculas, os átomos se empurrem uns aos outros. Não há nenhuma molécula ou partícula a sair da garganta da Lotus, mas a vibração na garganta dela empurra algumas partículas. Estas partículas não se deslocam; vibram. E fazem vibrar também a partícula ao lado, e a seguinte, e a seguinte. E esta vibração passa de partícula em partícula até ao meu ouvido. E no ouvido há uma membrana que vibra, empurrada pelas partículas.

Não há som. Há apenas vibração. E o cérebro calcula esta vibração e diz: “Ah, há um som.” Mas não há som. Não há som real. Somos nós que criamos o som com o nosso cérebro.

O mesmo, e o que disseste sobre a luz e a escuridão é muito bonito. O fotão não é só partículas; é partículas e vibração. E os nossos olhos sentem esta vibração e chamam-lhe luz. E o cérebro, consoante o número de vibrações, diz: “Oh, é azul, oh, é verde, oh, é preto.” O cérebro cria tudo. Não há nada que entre realmente em nenhum dos nossos sentidos. O nosso supercomputador interpreta – consoante o nível de vibração – esta é esta nota, dó ré mi fá sol lá si dó, ou azul, ou verde. É só o cérebro.

Portanto, neste oceano de vibrações, há uma infinidade de vibrações. Voltem sempre a isso.

Os nossos ouvidos conseguem ouvir uma gama de sons muito limitada – do muito agudo ao muito grave –, mas não há nota mais aguda. Podem ir mais alto do que a Lotus, dez vezes mais alto, e esse não é o limite. Há sons mais agudos, mas não os conseguimos sentir. E o mesmo com as notas mais graves. Podem descer até à mais grave possível e não podem dizer “esta é a mais grave”. Podem dizê-lo, mas estão enganados, porque há sons ainda mais graves. Até onde vão? Até ao infinito! Mas um cientista estúpido pode dizer “esta é a nota mais grave”. Há o mais grave e há ainda mais grave; existe um som que seja o mais grave possível? Não existe. Infinito! Mas não o conseguimos percecionar.

Os elefantes, um animal que eu adoro, emitem sons tão graves que não os conseguimos ouvir. Mas comunicam com esses sons. As baleias também, no oceano, têm sons que nenhum humano consegue percecionar. Chamam-lhes infrassons. Indo para cima, chamam-lhes ultrassons. Mas não há limite.

Escolhemos percecionar o nosso ambiente segundo aquilo que conseguimos ouvir. Neste mundo de ilusões permanentes. Portanto, tudo o que veem, ouvem, tocam, não é o que pensam que veem, que tocam, que ouvem.

O exemplo mais bonito, que uso muitas vezes – sabem, quando olham para um belo nascer do sol, uau! –, e o sol está a sair do oceano. Não. Estava a sair do oceano 8 minutos antes. Mas a vibração a que chamamos luz leva 8 minutos a chegar até nós. Portanto, quando veem o sol, veem a imagem do sol tal como estava há 8 minutos. Se quisessem ver exatamente quando o sol nasce, o que não é possível para o olho humano, se um instrumento conseguisse detetar o momento exato em que o sol sai do oceano, seria 8 minutos antes daquilo que vemos. Se detetassem exatamente onde ele está no momento em que o veem nascer, ainda é noite onde o sol realmente está.

Portanto, teriam de sair e olhar para o sol quando ainda está completamente escuro; é aí que o sol realmente está. Mas pensem nisto: e as estrelas? A luz das estrelas não leva 8 minutos a chegar, pode levar meses, anos, séculos. Algumas estrelas que veem, veem a luz que emitiram há milhares de anos. Não conseguem ver a luz dessas estrelas onde elas estão agora, porque elas movem-se. E a estrela que veem aqui – veem-na aqui, mas na realidade está ali. É um trabalho espantoso dos astrofísicos, fazer uma imagem exata do universo.

Para ter realmente uma visão melhor, medir a luz não chega. Por isso, usam radiotelescópios, e isso não chega. Nada chega.

Mais uma vez, como ensino há 50 anos, se pudessem ver todas as estrelas, o céu inteiro seria branco. Não um ponto de luz, mas totalmente branco. É aí que realmente estamos. Mas não podemos confiar nos nossos órgãos.

Percebem até que ponto vivemos num mundo de ilusões? Com algo tão simples como um nascer do sol, não é verdade. E é a mesma coisa para tudo.

Temos de ser humildes e não confiar nos nossos sentidos. Em que podemos confiar, não para medir, mas para sentir o infinito? Na supraconsciência. A supraconsciência não vê, não ouve, é. E a supraconsciência nunca vos dará nenhuma medida do infinito. Porque o infinito, por definição, não tem tamanho. Se pudéssemos medir o infinito, não seria infinito.

Obrigado, Natália.

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